foto de capa por Fernando Pilatos

Filipe Morgado Escrito por Filipe Morgado

Passeio fotográfico na nebulosa e misteriosa Paranapiacaba em Santo André com o Click a Pé

Quer fotografar enquanto se diverte, faz amigos e conhece o mundo? Eu acredito que sim, é claro né. Então, passeios fotográficos com certeza vão te ajudar, assim como esse que fiz com o pessoal do Click a Pé. Vamos começar com um exercício de imaginação…


Cachorro solitário | 16mm equiv.; f5,6; 1/320; ISO 100
Cachorro solitário | 16mm equiv.; f5,6; 1/320; ISO 100

Imagine uma vila antiga, de estilo inglês que teve seus tempos dourados décadas atrás. Uma vila construída por uma empresa ferroviária inglesa para ser uma vila operária para seus funcionários. A ferrovia está longe do que já foi um dia, mas ainda funciona parcialmente e a paisagem local pode revelar muita história e apresentar velhas locomotivas e vagões espalhados pela região. Talvez, só com o que imaginou até aqui, você tenha pensado que é possível fazer muitas fotografias legais de um lugar como esse. Mas tem mais uma coisinha…

Ainda dá para adicionar mais uma camada de interesse e mistério em nossa vila imaginária. E se eu te disser que neblina é extremamente frequente por lá? Consegue visualizar? Vila operária inglesa, com trens, neblina… que lugar maluco e misterioso! Mas ele existe! É Paranapiacaba!

É um lugar único, hein? Lá vamos nós conhecer Paranapiacaba!




Ferrovia | 16mm equiv.; f5,6; 1/800; ISO 100
Ferrovia | 16mm equiv.; f5,6; 1/800; ISO 100

Sobre Paranapiacaba e como chegar lá

A vila está localizada a cerca de 60 km de São Paulo em Santo André (região metropolitana de São Paulo) em meio à floresta da Serra do Mar, no ponto mais alto da região. O nome Paranapiacaba significa algo como "lugar de onde se vê o mar” e foi formado da junção de algumas palavras em Tupi: paranã (mar), epîak (ver) e aba (lugar).

A cidade foi criada durante meados do século XIX. São Paulo Railway, empresa ferroviária que a criou, era responsável pelo transporte de pessoas e cargas, principalmente café, do interior paulista para o porto de Santos. A cidade que estava praticamente abandonada, hoje está retornando a prosperar com o turismo.


Neblina e mistério... | 19mm equiv.; f5,6; 1/160; ISO 100
Neblina e mistério… | 19mm equiv.; f5,6; 1/160; ISO 100

A maneira mais fácil de chegar lá é de carro ou de trem. Sim, de trem! Você pode pegar o trem turístico que sai da Estação da Luz, mas apenas aos domingos. Se você for com esse trem turístico, compre a passagem com antecedência. Normalmente fica lotado, não só no dia, mas várias semanas para frente, então compre bem antes e planeje seu passeio. Mais detalhes sobre o expresso turístico aqui. Para mais detalhes e outras formas de como chegar em Paranapiacaba sempre atualizadas, consulte o Google Maps.

No momento que escrevo, eu estive lá apenas uma vez, para o passeio fotográfico do Click a Pé. Mas com certeza eu irei voltar diversas vezes lá para fotografar mais, aproveitar as trilhas e outras atividades turísticas e culturais que acontecem por lá. Se você quiser ir também, me avise!


O buraco | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 800
O buraco | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 800

Fotografando em Paranapiacaba

Como disse antes, estive em Paranapiacaba para o passeio fotográfico do Click a Pé. Ele durou o dia todo. Então, vou dividir o passeio em dois períodos, o da manhã e o da tarde.

A cidade é dividida em duas pela ferrovia. Uma das partes é mais alta, então geralmente é chamada de parte alta da cidade. As principais atrações são a igreja e o cemitério. Quer dar um passeio no cemitério com neblina? Uuuaaahahahaha… (risada malévola e misteriosa, se você não entendeu :) ) É demais para você, ou vai tranquilo? Nós fomos!

A outra parte, a parte baixa, tem os museus, várias casas antigas e restaurantes. É o maior lado da cidade. O que conecta as duas partes é uma ponte metálica bem legal que você pode ver em muitas das fotos de Paranapiacaba. Nosso ponto de encontro foi em frente ao Bar dar Zilda na cidade baixa.


Ponte | 16mm equiv.; f5,6; 1/100; ISO 100
Ponte | 16mm equiv.; f5,6; 1/100; ISO 100

Eu tinha um objetivo pessoal para esse passeio. Naquela época, eu estava me preparando para um workshop de fotografia de paisagem de montanha com o Waldyr Neto, para dar o pontapé inicial na minha fotografia de paisagem no lugar que mais gosto, as montanhas. Então, depois de bastante tempo sem acrescentar nada ao meu equipamento de fotografia, eu decidi comprar uma lente grande angular.

Então, para esse passeio, meu objetivo era fotografar apenas com ela. Essa seria a minha primeira vez com uma grande angular e pensei que o passeio seria uma boa maneira de começar a praticar com essa lente antes do workshop. Uma lente como essa também iria me ajudar nos meus outros passeios fotográficos, principalmente em lugares apertados e fotos de arquitetura.


Era bem grande! | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 640
Era bem grande! | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 640

Paranapiacaba, para mim, é um lugar bem preto e branco. Consequentemente, você vai ver que a maioria das fotografias acabou ficando dessa forma. Acho que me empolguei com a neblina, texturas, contraste e o clima de mistério. Se cores não adicionam nada na imagem, por que usá-las?

Manhã

Rebeldes. Sim, fomos um pouco rebeldes hahaha. Quando o evento começou, fomos para o lado oposto da cidade, então não seguimos o fluxo padrão do passeio. O pessoal foi caminhar pela cidade baixa e nós fomos para a cidade alta.

Por que fizemos isso? Pois tinha muita gente no passeio, muita gente mesmo. Lá, as ruas não são tão largas assim para acomodar tanta gente e ainda sobrar espaço para fotografarmos do jeito que queríamos. Além disso, lá também parecia um lugar seguro o suficiente para andar em um grupo menor. Então, eu não vou poder te contar o que o guia local que acompanhou o grupo contou e mostrou sobre a vila durante o passeio, mas em compensação, eu posso te mostrar fotos com menos pessoas. É uma troca, né?

A rota aproximada da manhã pode ser vista no mapa do Google abaixo. Começamos pela cidade alta e depois voltamos para a parte baixa.


Durante o passeio fotográfico da manhã, vimos um homem sentado dentro de algo como uma varanda, mas praticamente no mesmo nível da rua, de uma casa colorida. Ele tinha um visual peculiar. É hora do retrato! :) Se você já leu sobre o meu primeiro passeio fotográfico no centro de São Paulo, sabe o que aconteceu por lá no retrato do trabalhador que fazia a calçada.

Sim, agora era a minha vez. O Labate também gostou da ideia, mas não estava muito confortável em perguntar se poderia tirar um retrato dele, então eu perguntei. Na realidade, acabou sendo bem tranquilo. O moço aceitou e até olhou para nós para que tirássemos os retratos.


Cambuci (Campomanesia phaea) é uma fruta muito comum em Paranapiacaba. Lá você encontra de tudo e mais um pouco feito com ela. | 29mm equiv.; f5,6; 1/250; ISO 100
Cambuci (Campomanesia phaea) é uma fruta muito comum em Paranapiacaba. Lá você encontra de tudo e mais um pouco feito com ela. | 29mm equiv.; f5,6; 1/250; ISO 100

É bem diferente fazer um retrato com uma lente grande angular, você chega bem perto e a pessoa ainda fica pequena na imagem. Seja cauteloso para não se aproximar de mais e “deformar” o rosto da pessoa. Lentes desse tipo, quando muito próximas do rosto, deixam ele com um aspecto estranho.

Então, eu aproveitei para adicionar um pouco do ambiente ao redor do homem. Em inglês isso tem o nome de environmental portrait, mas eu não sei o termo exato em português. Busque por imagem no Google com esse termo que você vai entender o que estou falando (se você souber em português, avise-me nos comentários). Eu acho que o homem estava vendendo cachaça de Cambuci, como você também pode deduzir pela imagem. Mas ele não era muito falante e eu também não fiquei puxando conversa.

Durante a caminhada, nós também visitamos a igreja e o cemitério hehehe. Foi bem numa hora que tinha bastante neblina hahaha. Sim, é meio estranho tirar foto em um cemitério. Eu estava em busca de fotografias mais conceituais, que aproveitassem o estilo e “clima” do lugar, não exatamente quem estava enterrado lá ou os detalhes das lápides. Eu acho que isso deve ser preservado. Deixem eles descansarem em paz.


O cemitério. Vamos entrar? :grimacing: :scream: | 21mm equiv.; f5,6; 1/500; ISO 100
O cemitério. Vamos entrar? :grimacing: :scream: | 21mm equiv.; f5,6; 1/500; ISO 100

Depois disso, nós voltamos para a cidade baixa. Andamos por lá, fizemos umas fotos de casas antigas e tentamos achar uma cachoeira que disseram que existia ali por perto. Achamos! Mas, convenhamos, era tão pequena que creio que nem dá para chamar de cachoeira hehehe.

Andamos um pouco mais pela cidade e começamos a procurar por um restaurante.

Nós gastamos cerca de 2 horas e 15 minutos no passeio da manhã.

Tarde

Fomos primeiro no restaurante Estação Cavern Club (Av. Fox, 525), um local nos recomendou. O lugar parece ser muito bom, mas também é caro, então desencanamos e fomos procurar outro hahaha. Almoçamos no restaurante Estação do Sabor (Av. Antonio Olyntho, 485). Um lugar bacana, boa comida e preço razoável.

Depois do almoço, a atração principal do passeio fotográfico da tarde era o Museu Tecnológico Ferroviário. É bem grande por lá, não é só um museu clássico com coisas expostas em um lugar fechado. Tem muito o que explorar por lá, principalmente se você estiver fotografando.

Existem trens, todas as máquinas e as construções usadas no sistema funicular e outras mais. Mas você vai precisar de permissão para fotografar por lá. Naquele dia, como estávamos no passeio do Click a Pé, eles nos ajudaram com isso.


Maquinário | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 500
Maquinário | 16mm equiv.; f5,6; 1/30; ISO 500

O Labate foi o primeiro a sacar esse ponto de vista super legal abaixo, mas, depois dele, eu também garanti minha foto :).


 Geometria | 16mm equiv.; f5,6; 1/640; ISO 100
Geometria | 16mm equiv.; f5,6; 1/640; ISO 100

Depois de aproximadamente 2 horas e 15 minutos (puxa! O mesmo tempo da manhã, não foi de propósito, simples coincidência), era hora de irmos para casa.

Nós escolhemos ir de carro para ter a flexibilidade de ficar até o fim da tarde (depois do horário do trem). É nessa hora que a neblina costuma aparecer. Mas nesse dia, tivemos neblina praticamente o tempo todo, ela ficou indo e vindo praticamente o dia inteiro. Mas era apenas neblina, nada de chuva.

Resumindo…

Foi um dia muito bom. Eu conheci um lugar super legal da forma que eu mais gosto, fotografando. Também encontrei alguns amigos e, pela primeira vez, fotografei com uma grande angular. De início foi muito estranho, mas depois eu fui me acostumando e no final até dá para dizer que eu gostei do resultado. Foi uma experiência legal e também foi uma boa adição nos meus equipamentos de fotografia.

É seguro fotografar em Paranapiacaba? Bom, eu fui lá apenas uma vez, justamente para esse passeio. Mas até onde pude observar, me pareceu tranquilo. Eu me senti bem à vontade andando com a câmera por lá, mesmo quando estávamos em um grupo pequeno ou apenas em dois.


Sem saída. | 29mm equiv.; f5,6; 1/40; ISO 800
Sem saída. | 29mm equiv.; f5,6; 1/40; ISO 800

A neblina foi muito impressionante e divertida. Se você quiser fotografar com neblina, trens, coisas antigas ou abandonadas, lá é seu lugar. Não só para passeios fotográficos, mas para retratos também.

Gostou da visita nesse local típico para passeios e ensaios fotográficos? Eu adorei e existem tantas outras coisas para se fazer lá. Eu voltarei! ;)


Agradeço muito pelo tempo que você dedicou à leitura do artigo. Obrigado ;). Espero que tenha sido proveitoso para você.

Até!