foto de capa por André Douek

Filipe Morgado Escrito por Filipe Morgado

Revelações nos Campos Elíseos em São Paulo com a FotoJornada

Quando a cidade perde o caráter de espaço simplesmente a ser percorrido e você a enxerga realmente existindo e interage com ela, tudo se torna mágico e nós acabamos vivendo muito. É isso que um passeio fotográfico te proporciona :).

Isso acontece até mesmo quando vamos fotografar em um local mais arriscado como o bairro dos Campos Elíseos em São Paulo que fica próximo à Cracolândia.

Neste artigo, divido com você histórias e aprendizados de um passeio fotográfico da FotoJornada em que aconteceram várias coisas interessantes e você vai poder conhecer lendo o artigo. Até mesmo sobre participar de uma atividade especial que a FotoJornada pode te proporcionar e fui convidado a participar naquele dia.

Este artigo também vai contar a história da foto abaixo. Consegue entender o que ela significa? Não? Vou te contar neste artigo! :)


O que será que essa foto significa? <br>Continue lendo para descobrir isso e as histórias do dia em que ela foi criada.
O que será que essa foto significa?
Continue lendo para descobrir isso e as histórias do dia em que ela foi criada.

Também vou associá-la com outra foto minha de outro passeio para incrementar ainda mais seu significado.

Então vamos lá! Vamos começar a “andar ao sabor da luz” \o/

O melhor estilo de passeio fotográfico

Entende o que quero dizer com “caminhar ao sabor da luz”?

Já que a gente escreve com a luz (fotografia), para mim, andar ao sabor da luz é ter um estilo viajante e contemplativo, não simplesmente fazer check-ins ou percorrer espaços.

É fazer o que você quer, ser livre para descobrir seu próprio mundo, criar sua arte e viver, aproveite sua vida. Não o que dizem que você deve fazer quando viaja ou anda por um lugar desconhecido.


Está entendendo? Nada de prisão! Vamos fugir disso. Busque uma saída!
Está entendendo? Nada de prisão! Vamos fugir disso. Busque uma saída!

É uma experiência mais próxima de quando a gente viaja e temos aquele olhar contemplativo do que está ao nosso redor, podendo gastar tempo observando como as coisas são, como a luz interage com o mundo e o torna mais incrível.

É quando estamos livres para andar e fotografar o que quisermos, o que nos interessa ou chama atenção (se você já fez meu passeio fotográfico da Paulista, sabe do que estou falando :)).

Hahaha, diria que os passeios e viagens mais legais ocorrem quando acontece esse caminhar de tartaruga contemplativa andando ao sabor da luz :P.


Fotografia de Mitsuo Yamamoto. É aqui!
Fotografia de Mitsuo Yamamoto. É aqui!

Um ponto forte dos passeios da FotoJornada é justamente isso. Na minha opinião, é o grupo aberto que mais se aproxima desse estilo de passeio aqui em São Paulo.

Nele as coisas fluem mais livremente, sem um percurso obrigatório como num passeio com um guia turístico. Temos liberdade para mudar o percurso ao longo do caminho, passar em alguns lugares que inicialmente não tinham sido planejados, por exemplo. Me sinto como se eu estivesse em minhas viagens, mas viajando por São Paulo.

Minha história com a FotoJornada começou exatamente no meu primeiro passeio fotográfico no centro de São Paulo. Lá dou mais detalhes sobre o grupo, neste artigo, vamos focar mais nos acontecimentos daquele dia que vivemos os Campos Elíseos :).


Fotografia de Klaus Jessen. Tremulando.
Fotografia de Klaus Jessen. Tremulando.

Passeio fotográfico da FotoJornada em Campos Elíseos, São Paulo, Brasil

Em uma manhã relativamente fria, que começou lá pelos seus 13 °C ou 14 °C, era dia de fotografar pelo famigerado bairro dos Campos Elíseos.

Apesar dos casarões e outros pontos interessantes, a região fica bem próxima à Cracolândia, o que torna mais perigoso fotografar por lá sozinho. Portanto, uma ótima oportunidade para fotografar o local, já que estaríamos em grupo.


Linhas urbanas.
Linhas urbanas.

Chegando no ponto de encontro, vários amigos e conhecidos já estavam por lá, mas, naquele dia, conheci uma pessoa nova. Indo para a foto oficial, um, até então, desconhecido me abordou.

Era o Karlis! Ele tinha descoberto o blog alguns dias atrás e tínhamos trocado alguns emails. Super bacana quando conheço em pessoa o pessoal que acompanha o blog \o/.

Em nosso trajeto, não chegamos perto dos lugares mais críticos, também não vamos abusar, né. Naquele dia, o grupo andou mais em grupo mesmo, sem se dispersar tanto, o que ajuda na questão da segurança.


Mesmo assim, alguns de nós escutaram dos lojistas e outras pessoas na rua frases no estilo “ai meu deus, eles não têm ideia do que estão fazendo/por onde estão andando com essas câmeras na mão, devem ser turistas estrangeiros sem noção”, hahaha.

No meio do caminho, fizemos algumas paradas breves para fotografar melhor alguns lugares. Um deles foi próximo a uma feira livre, ok, ta certo. Neste lugar não foi só para fotografar :).

A moça da barraca de pastel deu para nosso grupo um saco cheio de mini pasteis! Olha só! Super generosa, obrigado :). É curioso como essas atitudes amigas e generosas acontecem dentro e ao redor dos passeios fotográficos \o/.

Como todo passeio de rua, alguns adoram nossa presença, outros são indiferentes e alguns se sentem bem incomodados. É só respeitar que tudo fica bem…


Quando digo que alguns gostam ou não se incomodam com a nossa presença, hehehe.
Quando digo que alguns gostam ou não se incomodam com a nossa presença, hehehe.

Depois de mais de uma hora, eu já estava mais no clima do passeio, mais concentrado e sem a tensão inicial, mas ainda estava faltando uma foto legal para colocar o passeio na história.

Eu já estava observando o bairro naquele clima gostoso dos passeios da FotoJornada em que pareço que estou viajando na minha própria cidade, como comentei antes, andando ao sabor da luz.

Nada de roteiro fechado como se fossemos gado no pasto turístico. Certa autonomia é legal e importante para podermos explorar e conhecer o local de forma livre, se você fez meu passeio da Paulista sabe e entende isso.

Em um dos cruzamentos que passamos, vi um menino pintado na parede clara de uma casa. Era bem simples, mas me chamou atenção, me fez lembrar de uma foto minha de infância. Cheguei mais perto para ver melhor…

Vira para cá, vira para lá…

Abaixa, levanta…

Chega mais perto, vai mais longe…

Cuidado! Olha o carro na rua!!

Uóóón…

Hahaha :)

Foi meio confuso achar uma composição que me agradasse. Cheguei a fazer algo bem minimalista, só com o menino e sem mais nada, mas me pareceu pouco. A foto mais legal acabou sendo a que você conheceu no início do artigo.

Foram uns daqueles 5 minutinhos que passam rapidamente, sem você nem perceber, mas que podem mudar o curso do passeio e, às vezes, até da sua fotografia.

Quando fiz a foto, de forma consciente (ou talvez você prefira chamar de racional), estava pensando só em usar as linhas dos orelhões e da haste dos orelhões para guiar o olhar para o menino.

Na realidade, tem muito mais coisa acontecendo, né… Essa é só a “ponta do iceberg” da cabeça racional do engenheiro que te escreve.

Quando acontece uma foto dessas, que naturalmente te puxa para fotografar, te inspira e te motiva de alguma forma aparentemente inexplicável, tem muito mais coisa envolvida. É só notar o fato inicial que me chamou para chegar mais perto.

Em alguns parágrafos, você vai ver que tinha muito mais coisa nesta fotografia.


Fotografia de André Douek.
Fotografia de André Douek.

Nosso passeio não acabou por aí…

Um pouco depois, passamos pelo Castelinho e nos deixaram entrar para fotografar a parte externa dele \o/.

Enquanto estava fotografando uma porta feita de grades (hahaha, quem fez o passeio da Paulista sabe por que estou rindo :P. Mais prisão do que isso…), ao meu lado, tinham duas pessoas conversando.

Um deles estava contando para o outro de um blog de fotografia e talz… Quando, de repente, escutei meu nome.

Eita!

Pois é! Estavam falando de mim e do blog.

Instintivamente olhei para eles, com provavelmente uma cara que dizia tudo, e eles perguntaram se era eu o tal Filipe Morgado, hahaha. Eles tiraram até um sarrinho de que ainda bem que estavam falando bem de mim hahaha :P.

Logo depois, o André Douek, que organiza a FotoJornada, também veio conversar e me convidou para participar da Leitura das fotos que eles fazem após o passeio. Eu não conhecia, topei na hora :) \o/.

Como o passeio terminava ali, logo todo o pessoal que ia ficar para a Leitura foi almoçar junto e eu fui com eles.


Não foi só aquela foto de grades... E nem só mais esta aqui também...
Não foi só aquela foto de grades… E nem só mais esta aqui também…

Leitura das fotos do passeio fotográfico da FotoJornada com o André Douek

Almoçamos pela região da Paulista, o local da Leitura foi no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc que fica ali perto.

O processo da Leitura é simples. Cada participante escolhe 6 fotos que fez durante o passeio para mostrar para o pessoal. Dessas 6, o grupo escolhe 3 para formar um tríptico e uma para o André Douek fazer a leitura mais detalhada.

Achei muito legal, pois eles analisam a parte mais fotográfica da coisa, não se preocupando tanto com a estética/“foto bonita”, essas coisas mais comerciais e superficiais.

Para quem gosta dos passeios fotográficos e quer evoluir na fotografia, é uma ótima pedida. Para você saber mais e participar desta atividade e de outras atividades extras da FotoJornada, clique aqui.


Fotografia de Claudio Lobo. Vendem-se móveis usados.
Fotografia de Claudio Lobo. Vendem-se móveis usados.

Está curioso, assim como eu estava no dia, para saber o que o André enxergou na minha foto? :)

Chega de suspense… :)

Já reparou quantas coisas duplas, aos pares ou, em um termo mais engenheiro de computação, binárias existem nesta foto?

São várias!


Nossa, quanto dois... Quanta escolha, neste mundo binário e dividido. Quanta dúvida...
Nossa, quanto dois… Quanta escolha, neste mundo binário e dividido. Quanta dúvida…

Vamos começar pelas cores. Existem dois esquemas de cores na foto, a parte colorida e a parte preto e branco, ou seja, já temos uma dupla aí :). Porém, se pegarmos cada um desses esquemas, temos mais um binário dentro de cada um deles.

Na parte preto e branco, bem, aí é fácil né. A parede é branca e o menino é preto, sem tons de cinza. Já na parte colorida, temos duas cores predominantes, as cores de cada orelhão.

Vamos olhar alguns dos elementos da imagem. Quantos orelhões a foto tem? 2. Quantas janelas? 2.

Se a gente ainda quiser ir além, o rosto humano tem várias coisas aos pares também. Dois olhos, dois lábios, duas sobrancelhas, duas narinas, duas orelhas e todos eles bem visíveis na imagem do menino. Inclusive, o menino também está representado com duas partes do corpo, a cabeça e o início do tronco, nada mais.

Só para fechar as duplas, já reparou quantos furos tem no poste dos orelhões? 2! Hihihi

Achei muito legal essa análise! Eu não tinha percebido isso inicialmente. Mas como diz o Marcos Varanda, nada é por acaso.

De uns tempos para cá, com as conversas com o Marcos Varanda (obrigado, Marcos!), aprendi que na realidade, assim como os computadores, tenho várias fotos binárias (além de outras coisas que conto e mostro no bate-papo do passeio fotográfico da Paulista).

O que significa essa questão binária da foto? Minha formação? O momento de mudança de vida que venho passando? Nem eu sei perfeitamente ainda, mas estou tentando aprender mais sobre fotografia e sobre mim para descobrir até onde o significado dessa fotografia pode chegar ;).

Sei que existe, ou melhor, existiu uma grande dúvida na minha vida recentemente e uma escolha precisou ser feita. Se você está lendo este texto, em outras palavras, se este artigo existe, já deve imaginar a escolha que fiz :). Mas quando trilhamos caminhos desconhecidos, as bifurcações são constantes.

Já que estamos tudo aos pares aqui, vou te deixar com um díptico :). Lá vem a fotografia conectar pedaços das nossas histórias…


Um menino preso e tendo que fazer escolhas de vida. Hum...parece alguém que a gente conhece né hahaha :)
Um menino preso e tendo que fazer escolhas de vida. Hum…parece alguém que a gente conhece né hahaha :)

Às vezes, a gente só precisa aprender mais algumas coisas para poder entender nossas próprias fotografias. No início, é praticamente uma escrita em código, mas depois, o código da nossa vida vai clareando.

Conclusão

Este passeio dos Campos Elíseos com a FotoJornada foi um ótimo exemplo dos momentos especiais que a fotografia e os passeios, viagens e expedições fotográficas podem criar em nossas vidas. Conhecemos mais a cidade, interagimos com ela, fizemos novos amigos, criamos nossa arte e analisamos nossas próprias fotografias. Crescemos.

A fotografia não só nos proporciona bons momentos de vida, mas também nos permite evoluir como pessoa. Descobrimos mais de nós mesmos, nos interpretamos e compartilhamos com o mundo as descobertas. Tudo isso de forma ativa, criando e descobrindo. Sem deixar a vida passar em vão ou passivamente. Com vontade de viver (Willing To Live) ;).


Já volto... Quem já participou do passeio fotográfico da Paulista sabe bem o significado desta fotografia. Pois, é. Foi no passeio dos Campos Elíseos que ela nasceu também!
Já volto… Quem já participou do passeio fotográfico da Paulista sabe bem o significado desta fotografia. Pois, é. Foi no passeio dos Campos Elíseos que ela nasceu também!

Demorei bastante para escrever este artigo do passeio fotográfico nos Campos Elíseos. Mas, na realidade, isso acabou sendo bom.

Hoje tenho um entendimento melhor sobre os passeios fotográficos, sobre minhas próprias fotografias e sobre o significado daquele dia. Com certeza hoje pude escrever um artigo melhor e espero ter conseguido transmitir isso para você :). André, obrigado por proporcionar esses momentos especiais e também por todo seu apoio e incentivo.

Notei também que em 2018, apesar de ter feito apenas 3 ou 4 passeios com o pessoal da FotoJornada, muitas das minhas fotografias mais significativas desse ano aconteceram lá.

Creio que os passeios da FotoJornada me colocam mais facilmente em um estado mental que me proporciona fotografar com mais profundidade, quando as coisas simplesmente fluem.


Fotografia de André Gerhard.
Fotografia de André Gerhard.

Outra coisa legal deste grupo é que eles organizam um álbum para todo passeio que fazem. Quer ver o álbum dos Campos Elíseos? Entre aqui.

Para finalizar :), acredito que tenha ficado claro para você o quão incrível pode ser analisar uma fotografia sua e as descobertas que ela pode proporcionar.

Na Leitura que o André Douek faz depois do passeio, não só a sua foto será analisada, mas as fotografias dos colegas também. São vários os aprendizados para você poder crescer e melhorar sua fotografia.

Clique no botão abaixo para saber sobre todas as atividades extras da FotoJornada e participar delas também :).



Fotografia de Geiza Barboza. :)
Fotografia de Geiza Barboza. :)

Agradeço muito pelo tempo que você dedicou à leitura do artigo. Obrigado ;). Espero que tenha sido proveitoso para você. Até!


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