foto de capa por Daniel Tavares, com: Nathalia, Victor, Daniel, Paola, Hugo e Eu. Também estiveram conosco: Alessandro e Hugo. Valeu, pessoal!! \o/

Filipe Morgado Escrito por Filipe Morgado

Como fotografar a Ponte Estaiada às margens do rio Pinheiros

Vamos que vamos? Para onde, Filipe? Ah, hoje será em um lugar mais inusitado do que o de costume. Um lugar bastante conhecido de São Paulo, mas que bem poucas pessoas interagem com ele da forma que fizemos. Curioso?

É um daqueles lugares que só a fotografia (e alguns ciclistas também :)) para te levar lá. Vamos caminhar pela margem do rio Pinheiros até a queridinha e famosa Ponte Estaiada (Octávio Frias de Oliveira).

Neste artigo, vou te explicar como você também pode fazer esse passeio fotográfico e vou revelar para você mais uma coisinha. É sobre um projeto pessoal meu, mas que também pode ser seu, chamado … bem, você vai descobrir no final do artigo :P.


Essência da Estaiada | ISO 100; 38mm equiv.; f/11; 1/160s
Essência da Estaiada | ISO 100; 38mm equiv.; f/11; 1/160s

Antes de começarmos, você não precisa me lembrar disso. Eu sei que o rio Pinheiros é poluído e o cheiro pode não ser dos melhores. Não vamos entrar no rio, apenas ao redor dele, isso não faz mal para saúde. Ah, mas e se… mas isso… mas aquilo… mas… Não me venha com desculpas. Se você prefere ficar apenas reclamando da vida e não fazer nada para mudar, ok, você tem essa opção. Mas eu vou aproveitar minha vida, sair por aí fotografando e descobrindo novos lugares.

Se você quiser ir também, seja bem-vindo! Vamos juntos então! \o/

Sobre nosso passeio fotográfico às margens do rio Pinheiros e da Ponte Estaiada em São Paulo

Este passeio foi organizado pelo Hugo Chinaglia. Lembra dele? Sim, o professor do workshop de fotografia de paisagem na Pedra Grande em Atibaia. Às vezes, ele organiza alguns passeios fotográficos para seus ex-alunos. Esse foi um deles :).

O objetivo do nosso passeio era fotografar a Estaiada durante o nascer do sol. Então, precisaríamos estar lá bem cedo pela manhã. Especificamente naquele dia, o sol nasceria atrás da ponte, o que poderia gerar um contraluz interessante para nós.


Imagem da tela do PhotoPills mostrando os horários do nascer e pôr do sol e da lua, além do posicionamento deles no horário indicado.
Imagem da tela do PhotoPills mostrando os horários do nascer e pôr do sol e da lua, além do posicionamento deles no horário indicado.

Como sabemos o posicionamento do sol? Eu uso o PhotoPills, o Hugo também e vários outras pessoas fazem o mesmo. Como alternativa, se você quiser verificar esse tipo de informação apenas em seu navegador, você pode usar o TPE (The Photographer’s Ephemeris), dessa forma ele é gratuito. É sempre uma boa ideia ver o posicionamento do sol e da lua previamente, vai te ajudar bastante a planejar suas fotos de paisagem natural e urbana.

A Estaiada provavelmente será sua atração principal. Porém, você também pode fotografar o rio, os prédios ao redor dele e, o que muitos gostam, os reflexos deles na água do rio.

E o pôr do sol, Filipe? Boa! Também é um momento legal por lá. A mistura do céu azulado (blue hour) com as luzes dos prédios que vão se acendendo pode dar um resultado bem legal também. Fora isso, na parte da noite, é sempre mais fácil de usar estrelinhas para compor sua fotografia (aprenda aqui a criar e domar o efeito de estrelinha). Quando eu fizer o passeio nesse horário, atualizarei o artigo.

Como você pode fotografar a Ponte Estaiada (Ponte Octávio Frias de Oliveira)

Abaixo, eu te dou a “receita de bolo” de como fazer esse passeio fotográfico. Mas já te adianto que essa não é a única forma de chegar até a ponte, é uma delas. Entretanto, por enquanto, eu não tenho muitos detalhes dessas outras formas e também não as testei. Portanto, não vou sugerir caminhos alternativos até a Estaiada agora. Mas, se você está acostumado a andar pelo Pinheiros e chegar até a ponte de outra forma, escreve para nós lá nos comentários!

Segurança

É aconselhável ir em grupos grandes, ou melhor, em bando hehe. Ao menos 8 pessoas parece um bom número. Então, chame os amigos para ir com você!


Sim, existem algumas árvores na beira do rio | ISO 100; 38mm equiv.; f/8; 1/500s
Sim, existem algumas árvores na beira do rio | ISO 100; 38mm equiv.; f/8; 1/500s

Ponto de encontro

Você pode esperar por seus amigos perto de alguma das entradas do Parque do Povo (Parque Municipal Mário Pimenta Camargo). É mais seguro dessa forma do que em frente ao portão da ciclovia que fica no meio da ponte Cidade Jardim.

Se você for para lá de carro, é possível estacionar ao redor do parque. Bem cedo pela manhã você achará vaga tranquilamente por lá.

Percurso

Para chegar até a ciclovia que te levará até a Estaiada, você pode entrar pelo portão que fica na ponte Cidade Jardim (Ponte Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo). Existem duas entradas, uma para cada lado do rio. Nós escolhemos a que fica mais distante do parque. Veja a entrada na imagem do street view abaixo.


A rota pela ciclovia não tem segredo. Existe apenas uma bifurcação logo depois da usina, pegue para a esquerda assim como na rota abaixo e sempre tome cuidado com os ciclistas.


Na volta, você pode cruzar o Parque do Povo (para fotografar lá, você precisa ir até à administração do parque e pedir autorização), beber um suco ou água de coco e depois tomar café da manhã em alguma padaria próxima ou até mesmo no Eataly que fica ali perto também. Além disso, tem o shopping JK ali do lado. Enfim, várias opções para você reabastecer :).

Programação

Naquele dia, o sol nascia às 6:10. A ciclovia abre apenas às 5:30 (fecha às 18:30) e você levará por volta de 40 minutos caminhando do portão dela até a Estaiada. Então:

5:15 Encontro no portão do Parque do Povo
5:30 Abertura da ciclovia e início da caminhada até a Estaiada (~3 km)
6:10 Nascer do sol na Estaiada
7:00 Volta tranquila fotografando
9:30 Café da manhã

Fique à vontade para modificar como preferir. Apenas tenha em mente que leva por volta de 40 minutos para caminhar até a ponte. Acerte os horários e o ritmo da caminhada para você chegar na Estaiada, preferivelmente, antes do sol nascer para aproveitar todo o espetáculo. Se você tiver uma bicicleta, com certeza vai ajudar :).

O que mais você precisa?

Antes de mais nada, sempre se lembre disso, o sol não te espera. Você pode chegar atrasado, mas ele não. Então, seja cuidadoso e esteja no horário para que tudo funcione da melhor forma possível.

Claro, leve seus equipamentos de fotografia :). Lá você pode fazer fotos bem abertas ou pegar detalhes da ponte. Então, tanto uma lente grande angular como uma tele vão te ajudar. Não esqueça do tripé e se você tiver filtros (ND e polarizador), aproveite para usar também.


Uma vista frontal da estrutura da ponte | ISO 100; 56 equiv.; f/8; 1/125s
Uma vista frontal da estrutura da ponte | ISO 100; 56 equiv.; f/8; 1/125s

Protetor solar será útil e também tem mais dois itens importantes, calça comprida e meias compridas. Os dois últimos servem para evitar carrapatos.

Existem algumas histórias de pessoas que voltaram de passeios assim com esse brinde indesejado, então isso vai te ajudar a evitar essa situação. Se isso te preocupa extremamente, use uma fita adesiva para selar o fim da sua calça com o seu tênis, assim eles não vão ter por onde entrar.

Pode ser meio maluco, dada a condição do rio, mas algumas capivaras vivem por ali (até nadam no rio). Não tente brincar ou assustar elas. Se você ficar na sua, só fotografando :), creio que dificilmente elas vão te atacar. Naquele dia não vimos nenhuma, mas outros amigos já relataram terem visto algumas.

Espero também que você esteja motivado a acordar cedo e fazer uma boa caminhada :) \o/.

Depois

Mais uma vez, o rio é poluído, portanto, a margem do rio não é um lugar limpinho. Então, quando você voltar, dê uma atenção especial na limpeza dos seus tênis, calça, mochila, tripé, enfim, principalmente nessas coisas que tiveram contato com o solo e a vegetação local.


Essa imagem está aqui para você entender melhor como é a margem do rio e o que esperar quando estiver lá para fotografar a Estaiada. Na imagem não é possível ver, mas a ciclovia está à esquerda. Em alguns lugares, a região bem próxima ao rio é mais plana e menos perigosa de você cair. Se você se aproximar do rio, tome extremo cuidado para não cair nele! Nessa imagem em baixa resolução talvez você não consiga perceber, mas tem dois amigos ali perto da margem e da ponte, vamos ver como fica a vista de lá na próxima foto! | ISO 100; 16mm equiv.; f/11; composição com tempos de exposição diferentes
Essa imagem está aqui para você entender melhor como é a margem do rio e o que esperar quando estiver lá para fotografar a Estaiada. Na imagem não é possível ver, mas a ciclovia está à esquerda. Em alguns lugares, a região bem próxima ao rio é mais plana e menos perigosa de você cair. Se você se aproximar do rio, tome extremo cuidado para não cair nele! Nessa imagem em baixa resolução talvez você não consiga perceber, mas tem dois amigos ali perto da margem e da ponte, vamos ver como fica a vista de lá na próxima foto! | ISO 100; 16mm equiv.; f/11; composição com tempos de exposição diferentes

#RevelaSP

Para mim, esse passeio fotográfico foi bem bacana. Tive a oportunidade de conhecer e fotografar um lugar novo da minha cidade, encontrar os amigos que tinha feito recentemente no workshop do Hugo e fazer um passeio fotográfico pela primeira vez com o Victor e a Nathalia. Eu já os seguia no Instagram tinha um tempo (gosto das fotos deles :)), mas apenas os tinha visto bem brevemente alguns meses atrás. Pessoal, obrigado a todos vocês pelo passeio super legal e pelos papos bem interessantes que tivemos :) \o/.

Falando um pouco mais sobre conhecer fotograficamente os lugares que visitamos, eu tenho um projeto pessoal que vou revelar publicamente agora para você.

É um projeto que eu já comecei e continuarei tocando, mas ainda mais importante, é algo que você também pode fazer e espero que você junte-se a nós \o/! Arrisco até a dizer que talvez você já faça isso! Pois é, se você participa dos passeios fotográficos que ocorrem em São Paulo, você já está fazendo e nem sabe, hehehe :).

Tudo começou com a indignação de alguém que vive em SP desde que nasceu e não conhece sua própria cidade (eu). São Paulo é imensa, mas isso não é desculpa. É bizarro que conheço mais as cidades que visito quando viajo do que a minha própria.

Pense comigo dessa forma. Se um amigo seu de fora de SP vem visitar sua cidade, onde você o levaria? Se você não consegue pensar facilmente em diversas opções, inclusive de acordo com as preferências do seu amigo, você é como eu. Hahahaha. Temos que fazer alguma coisa! Eu já comecei…


Vista quase por baixo da ponte | ISO 100; 25mm equiv.; f/11; 1/250s
Vista quase por baixo da ponte | ISO 100; 25mm equiv.; f/11; 1/250s

A melhor maneira que encontrei para conhecer os lugares que visito é fotografá-lo. Isso ajuda muito a conhecer o lugar, a prestar atenção nos detalhes e no que existe por lá, você realmente vive o lugar por algum tempo. Além disso, a fotografia proporciona e potencializa momentos prazerosos de descoberta e de sentir que se está aproveitando a vida. Ela te faz enxergar as coisas de uma forma diferente em vários sentidos. Para mim, é a combinação perfeita.

O nome do projeto é #RevelaSP. Sacou o duplo significado, né? :)

Além de conhecer melhor minha cidade (e também o restante do estado), aproveitar minha vida e praticar fotografia, quero criar um guia bastante completo sobre como fazer passeios fotográficos em São Paulo. Como disse, eu já comecei e de agora em diante você verá com maior frequência artigos explicando onde ir e como fazer os passeios. Por que um guia? Pois quero que outras pessoas possam se divertir fazendo o mesmo!

Gosta da ideia?

Então vamos descobrir São Paulo juntos!

Como você pode começar?

É fácil. Faça passeios fotográficos por São Paulo para descobrir, conhecer e retratar os lugares por onde você passou e o que você observou por lá. Quando você publicar suas fotos, use #RevelaSP. Moleza :) \o/.

Se precisar de ajuda, é só perguntar nos comentários ;)

Agradeço muito pelo tempo que você dedicou à leitura do artigo. Obrigado ;). Até!