foto de capa por Waldyr Neto

Filipe Morgado Escrito por Filipe Morgado

Expedição fotográfica no Parque Nacional do Itatiaia, que história!

He he he…

Você nem não tem nem ideia do que aconteceu nessa expedição fotográfica no planalto do Itatiaia

Mas como você é da casa, gosta de fazer seus passeis e viagens fotográficas assim como eu e todo o pessoal aqui, vou te contar… :)

Este final de semana foi surreal, aconteceu muita coisa. Sério. Também aprendemos muito sobre coisas que vão bem além da fotografia.

Foi intenso. Foi meio insano. Foi uma viagem “com emoção”, mas foi incrível e inesquecível. Vivemos muito.

Para os que dizem que a fotografia funciona como uma terapia, nesta viagem estava mais para uma terapia de choque, hahaha :P. Não, também estou exagerando :).

Neste artigo, você vai saber como é fotografar no planalto do Itatiaia, como é uma expedição do Waldyr para lá e a nossa incrível história e aventura.


Fotografia de Waldyr Neto. Em busca das fotos escondidas em clima de mistério uuuahahaha :P Obrigado pela foto, Waldyr! :). Tudo que vivemos nesse dia e como ficou a foto que eu estava fazendo você vê mais abaixo no artigo ;).
Fotografia de Waldyr Neto. Em busca das fotos escondidas em clima de mistério uuuahahaha :P Obrigado pela foto, Waldyr! :). Tudo que vivemos nesse dia e como ficou a foto que eu estava fazendo você vê mais abaixo no artigo ;).

Está pronto?

A gente achou que estava… hahaha :P

Por enquanto, só te digo uma coisa…

Não brinque com a montanha. Você não vai querer virar oferenda para a Pacha Mama, como dizem os peruanos, né?

Não, né?

Então, ótimo. Aproveite e pegue o meu e não se esqueça do livro do Waldyr Neto sobre tudo que você precisa saber para começar suas trilhas. Ao longo do artigo, vai ficar bem claro por que o livro é importante para você!

Começa logo, Filipe!! Quero saber o que aconteceu!

Hahaha. Ta bom, ta bom… vamos que vamos! Mas não esqueça seus e o livro acima :).

O que é a expedição fotográfica no planalto do Itatiaia com o Waldyr Neto?

A ideia dos passeios do Waldyr é proporcionar uma expedição com mochilas relativamente leves e um grupo de apoio bastante experiente. A gente não precisa se preocupar com questões logísticas e nem de alimentação, é só focar em aproveitar nosso momento fotografando e curtindo o passeio \o/.

Desta vez, nosso cenário foi o Planalto do Parque Nacional do Itatiaia por trilhas pensadas especificamente para a fotografia e com aquela paisagem lunar característica \o/.

Além do Waldyr, o pessoal da Rock Giants atua como parceiro nessa expedição. Assim como o Waldyr, eles foram extremamente prestativos e interessados em nos proporcionar a melhor expedição possível. Obrigado! :)


Imagem criada pelo Waldyr Neto com a ajuda do Google Earth mostrando nosso percurso para a expedição. Primeiro dia o Circuito dos Cinco Lagos e Prateleiras no segundo dia. Google Earth, Image © 2016 DigitalGlobe, Image Landsat, Data SIO, NOAA, U.S. Navy, NGA, GEBCO, Image © 2016 CNES/Astrium.
Imagem criada pelo Waldyr Neto com a ajuda do Google Earth mostrando nosso percurso para a expedição. Primeiro dia o Circuito dos Cinco Lagos e Prateleiras no segundo dia. Google Earth, Image © 2016 DigitalGlobe, Image Landsat, Data SIO, NOAA, U.S. Navy, NGA, GEBCO, Image © 2016 CNES/Astrium.

Passamos por lá apenas um final de semana. No sábado, fizemos a trilha mais longa, Circuito dos Cinco Lagos. Para isso, partimos no início da manhã (8h) diretamente para a trilha com a mochila de ataque/fotografia (enquanto nossas malas eram levadas para o abrigo pelo pessoal de apoio).

No domingo, fotografamos o amanhecer e, depois do café da manhã, fizemos um passeio fotográfico para as Prateleiras.

Todas as refeições, café da manhã, almoço, janta e também alguns lanches durante as trilhas já estavam no pacote.

Durante a expedição, dormimos no Abrigo Rebouças, mas de sexta para sábado, o ideal é dormir em algum lugar próximo para poder chegar com tranquilidade e descansado para o início da trilha de sábado.

Para isso, a maior parte do grupo ficou no Hostel Picus (uns 5 ou 10 minutos de carro do ponto de encontro, Garganta do Registro).

A principal característica de Itatiaia é o frio. Nosso abrigo até tem energia elétrica, mas o chuveiro é frio, sim, sem aquecimento. Como o próprio Waldyr diz:

“Tomar banho lá é um ato de extrema coragem…ou desespero… de manhã a água costuma congelar no cano e não sai. De tarde volta a escorrer… aí é com vocês… rsrs”

Entendeu, né? Lá é frio. Para driblar o banho, você pode usar aqueles lencinhos umedecidos.

Antes de entrarmos na história, uma coisa que eu me perguntava antes de ir. Mas e a altitude?

Mal de altitude (soroche) em Itatiaia?

A altitude do nosso abrigo (Abrigo Rebouças) lá em Itatiaia é de 2400m e, durante nossas caminhadas, chegaríamos em 2600m. Isso me fez lembrar de alguns lugares que passei pelo Peru.

Nas minhas pesquisas para a viagem do Peru, aprendi que essa questão de mal-estar em altitude começa aos 2mil metros. Mas começa bem leve e vai piorando a medida que a altitude aumenta.

Em Arequipa, a cidade está a 2335 metros acima do nível do mar, foi meu primeiro contato com a altitude. Eu não senti muita coisa, só quando apertava o passo ou fazia algum esforço maior é que sentia cansar mais rápido. Entretanto, apesar do cansaço não ter sido muito significativo para mim, o famoso chá de coca já está presente em vários lugares.

A praça central da cidadela de Machu Picchu fica a 2453m, caminhar pela cidadela já foi bem mais difícil devido aos desníveis (maior esforço físico). Subir até o topo da Montanha Machu Picchu então, que chega aos 3061m, foi um desafio e acabou se tornando um marco na minha vida.

Lá em Itatiaia, não fiquei cansado por causa da latitude e também não me lembro de ninguém do grupo falando algo a respeito. Exceto pelo Luis Felipe da Rock Giants que comentou de sentir um maior cansaço quando corre por lá, mas aí são outros quinhentos, né. No caminhar normal da trilha, foi algo que passou desapercebido.

Enfim, não acho que você precisa se preocupar com relação a isso quando for caminhar e fotografar no Planalto do Itatiaia.

Antes de encararmos nosso desafio, precisamos ir preparados. Vamos ver o que levar!


Antes de encararmos o desafio pelas montanhas, vamos saber mais sobre o que levar. Isso foi vital para o final feliz da expedição.
Antes de encararmos o desafio pelas montanhas, vamos saber mais sobre o que levar. Isso foi vital para o final feliz da expedição.

O que levar

Foi vital seguir as orientações do Waldyr com relação a isso, você vai entender com a leitura :)…

Por enquanto, te digo que não tem muito segredo, mas dependendo das condições, alguns itens podem virar itens de sobrevivência. O Waldyr também te ajuda com isso, ele vai te lembrar dos itens importantes dependendo das condições climáticas do final de semana da expedição.

  • Agasalhos, luva, gorro e pescoceira (ou até uma balaclava)
  • Garrafa d’água
  • Capa de chuva/poncho
  • Calçado para caminhar (dê preferência a botas impermeáveis)
  • Lanches leves para as trilhas
  • Protetor solar
  • Lanterna
  • Mochila com seu material fotográfico
    • Máquina fotográfica
    • Priorizar as lentes mais angulares
    • Tripé (importante para fotografia de paisagem)
    • Filtros
    • Disparador remoto
    • Kit de limpeza
    • Proteção para chuva
    • Cartões de memória
    • Baterias
    • Demais itens que goste de levar para sua fotografia.
  • Saco de dormir
  • Travesseiro inflável
  • Itens de higiene pessoal
  • Mudas de roupa
  • Chinelo
  • Tolha de banho (vai encarar? hahaha)
  • Queijos e vinhos que você curtir, mas claro, opcional.
  • Carregadores de baterias (celular, câmera…)

Novamente, em Itatiaia é frio, vá preparado. Além de não conseguir aproveitar direito pelo frio que passa, você ainda pode acabar ficando doente (ou bem pior). Luva, gorro, capa de chuva e vestimenta seguindo o esquema das 3 camadas são muito importantes. .

Lembre-se de carregar baterias e limpar seu equipamento e cartões de memória antes de ir.

No abrigo tem colchão e eles estavam bons, mas não tem travesseio nem cobertor. Por isso o travesseiro e saco de dormir.

A lanterna é importante para os momentos sem iluminação natural, leia-se, antes do sol nascer (domingo pela manhã).

Com relação aos lanchinhos para as trilhas, costumo levar um mix de oleaginosas e banana passa (desidratada). Se você quiser mais detalhes do que compõem o mix e as quantidades, pegue o meu guia .

Como chegar

Nossa aventura começou em São Paulo driblando o trânsito.

Na verdade, foi o trânsito que nos driblou e acabamos levando mais tempo do que esperávamos para chegar ao Hostel Picus hehehe. Bom, se você é de SP, digamos que isso não é novidade, né :).

Fomos inicialmente pela Ayrton Senna e depois pela Dutra, mas, se preferir, você pode ir pela Dutra o tempo todo. Se quiser saber exatamente quanto pagamos de pedágio (tirando um deles mais caro, não foi muito), .

A estrada é bem tranquila, inclusive depois quando saímos da estrada principal até chegar ao Hostel Picus. Nesse trecho final, a estrada é bem sinuosa e de pista única, mas é asfaltada e você chega lá tranquilamente com carro comum de cidade.

Se você estiver de carro, chegar lá é facilmente resumido a seguir o Google Maps. Ele acertou direitinho a rota e o local do Picus. Mesmo durante a noite, foi bem fácil achar o hostel, pois ele tem uma placa bem luminosa com seu nome que se destaca na escuridão.

Assim que entramos, demos de cara com uma parede de escalada dentro do hostel hahaha, bem bacana :).


Parede de escalada na entrada do Hostel Picus.
Parede de escalada na entrada do Hostel Picus.

Enquanto preparavam nossa janta, demos uma espiada nas estrelas.

Nossa, estava muito lindo!

Dava para ver muita coisa muito facilmente, até um pouco da via láctea era possível ver a olho nu. Mas já era tarde e nossa janta ficou pronta rapidinho, não deu tempo de fotografar. No dia seguinte, sabíamos que acordaríamos cedo e teríamos um longo dia de trilha pela frente. Mas também não imaginávamos que seria tão intenso quanto foi… hehehe…

Jantamos e fomos deitar.

Apesar da breve passagem pelo Picus, ele me pareceu bem bacana! Ficaria lá novamente com tranquilidade. Tudo que vi estava bem legal, a cama estava boa, tinha travesseiro e cobertor também. Dá até para beber água da torneira ou encher sua garrafa d’água com ela (assim como no abrigo de Itatiaia).

A única dica quente seria levar dinheiro em papel, pois na hora que fomos pagar antes de sair, estava sem sinal e não deu para pagar com cartão.

No dia seguinte, depois de acordar e me trocar, fui escovar os dentes já com a bota no pé. Pois é…

Tinha algo estranho com a bota…

Estava tão dura, ela não é assim… Aí comecei a pensar e caiu a ficha. Acho que estava sem palmilha.

Não, não é possível que fiz essa besteira…

Tirei ela do pé, e…

É. Fiz a besteira, hahahaha. Que burrico, dá zero pra ele! Huehuehue

Eu tinha molhado a bota na viagem fotográfica para Trindade e Paraty na semana anterior e tinha ficado tudo secando separado em casa… Enfim, foi o que teve.

Se iria atrapalhar muito nas trilhas, não tinha ideia. Bolhas, talvez? Vamos descobrir na prática logo mais :).

Bora para o carro, pois o pessoal nos espera na Garganta do Registro!

Por que esses lugares sempre têm uns nomes capciosos? :P

Primeiro dia

Na Garganta, o pessoal já estava a nossa espera em frente ao comércio local e onde também começa a estrada que leva até a portaria de Itatiaia, o primeiro parque nacional do Brasil.

Enquanto o pessoal da Rock Giants guardava nossos carros no estacionamento e também colocava nossas malas na caçamba dos 4×4, aproveitamos para conversar um pouco e também para algumas instruções e avisos iniciais.

Nossa primeira parada seria na portaria para acertar nossa entrada no parque e, logo em seguida, tomaríamos o famoso café da manhã na caçamba.

Café na caçamba?

Será que é tipo uma garrafa térmica de café solitária dentro da caçamba do 4×4 só para dizer que teve alguma coisa? Isso não tem cara da comilança dos passeios do Waldyr… Hum? Veremos…

Café da manhã na caçamba

Antes de nosso café, já aconteceu algo digno de nota… Na Garganta, estava frio, mas nada extremo, o tempo parecia bom, apenas encoberto.

Fomos subindo pela estrada… indo… indo… distraídos com o papo e as histórias das conversas no carro…

Quando chegamos lá em cima na portaria, nos deparamos com outro cenário. Uuuuahahaha :P

Um frio lascado!

Neblina!!

E vento!!!

Ventava bem… Aquele clima de suspense de como seria nossa expedição…

Saca só:

Chegando em Itatiaia com um super frio, neblina e vento. Aquele clima de suspense de como seria nossa expedição.


Era só o começo da nossa ParanapItatiaia hahaha. Se você não entendeu a piada, veja o artigo sobre o passeio fotográfico na clássica Paranapiacaba em Santo André, São Paulo.

Já comecei a colocar mais blusa, luva, gorro…

Só que tinha gente que não parecia se incomodar com o frio. Guarde essa imagem, será importante no contexto da história:


É só esse o frio que faz por aqui? <br> Vai brincando, vai... Até onde soubemos, esses não deram trabalho depois, mas teve gente que deu. Você vai entender melhor continuando a leitura...
É só esse o frio que faz por aqui?
Vai brincando, vai… Até onde soubemos, esses não deram trabalho depois, mas teve gente que deu. Você vai entender melhor continuando a leitura…

Com tudo certo, fomos para o estacionamento tomar o famigerado “café da manhã na caçamba”.

Agora sim tudo faz sentido, veja só o “humilde” café da manhã na caçamba que o pessoal da Rock Giants preparou para nós.


Uma beleza de café da manhã na caçamba :).
Uma beleza de café da manhã na caçamba :).

Basicamente a piada do café da manhã foi:

Que expedição “Nutella” essa hein, Waldyr? :)

Pois é, tinha até chocolate para passar no pão! Foi um café da manhã excelente, ainda mais considerando onde estávamos.

Mas… que inocência a nossa… Tudo muito fácil, é? Nem sabíamos que…. Huehuehuehu

Não ficou “Nutella” por tanto tempo assim… Aguardem… É só o começo…


 - Tudo certo, Waldyr? <br> - Sim, vamos começar!
– Tudo certo, Waldyr?
– Sim, vamos começar!

Tudo certo e alimentados, vamos começar!

Enquanto nossas malas iam para o abrigo, nossa trilha começava em meio ao frio, neblina e um pouco de vento.

O Waldyr pediu para que eu fechasse a fila enquanto o Luis Felipe não chegava. Achei ótimo, assim fica mais fácil para eu fotografar a gente pela trilha sem atrapalhar o ritmo do grupo :). Obrigado pela confiança, Waldyr ;).

Nossa trilha não é curta e vai se transformando ao longo do percurso. Muda o tipo de terreno que você pisa, a vegetação, a inclinação e, bem, a paisagem e as montanhas que avistaríamos também muda. Mas com a neblina que estava, não chegamos a ver muita coisa.


Começamos com uma vegetação mais alta.
Começamos com uma vegetação mais alta.

Se a neblina foi problema para nós? Para o pessoal de SP eu digo que não. Estava mó clima de Paranapiacaba, só que em Itatiaia. Super divertido \o/ :).

Claro que essa provavelmente não é a melhor vista do parque, não conseguíamos ver nada que estivesse alguns metros distante de nós. Mas aproveitamos do mesmo jeito!

Itatiaia já tem um visual surreal por natureza, algo como se você estivesse na lua ou em outro planeta. Já imaginou se ainda adicionar neblina a tudo isso?! Lua com neblina? Imagine como pode ficar todo o cenário e as novas possibilidades. Pois é! Foi super legal e nós vivemos tudo isso! \o/

Enfim, é aquela velha história da expectativa. Creio que você lembra o que aconteceu no passeio do Jockey Club, né?

Mas não foi só a neblina que cruzou nosso caminho…

Achando que eu já ia chegar ao ápice da história? Hahaha, ainda não…

Nós cruzamos com o símbolo oficial do parque!

Sim, um sapinho simpático, bem pequenininho e escalador! O sapinho fez o maior sucesso e até atrapalhou o andamento da caminhada haha :). Mas reza a lenda de que ter mexido com o sapinho teve consequências depois…


Fotografia de Felipe Labate. Sapo flamenguinho (Melanophryniscus Moreirae) símbolo oficial do Parque Nacional do Itatiaia. Ele é bem pequeno, mas parece fortão e sobe a montanha com uma facilidade...
Fotografia de Felipe Labate. Sapo flamenguinho (Melanophryniscus Moreirae) símbolo oficial do Parque Nacional do Itatiaia. Ele é bem pequeno, mas parece fortão e sobe a montanha com uma facilidade…

Durante a trilha, nosso primeiro ponto de parada fotográfica foi um laguinho. O terreno ao redor dele era bem mole e tinha que tomar cuidado onde pisava para não afundar.

Esse foi o lugar onde o Waldyr fez aquela minha foto que você viu logo no início do artigo. Ao redor do laguinho, uma das fotos que eu fiz foi essa.


Lembra da foto do Waldyr que eu aparecia tirando uma foto? Foi durante essa foto aqui :)
Lembra da foto do Waldyr que eu aparecia tirando uma foto? Foi durante essa foto aqui :)

Caminhamos por regiões com pedras mais altas, outras mais baixas, trechos mais planos outros com algumas subidas, mas nada crítico ou muito prolongado. Quem cansava era só diminuir o ritmo ou eventualmente fazer uma pausa, pegar um fôlego e continuar.

Um pouco mais para frente, passamos por lugares em que praticamente não existia mais vegetação e andávamos sobre a rocha.


Comemorando enquanto ainda podíamos fazer isso, hahahaha :) \o/
Comemorando enquanto ainda podíamos fazer isso, hahahaha :) \o/

Vídeo feito pelo Felipe Labate. Momento da fotografia acima :)


Alguns desses trechos eram bem inclinados, algo como andar na lateral de uma grande pedra/montanha. Mas um dos lados era justamente a própria pedra ou montanha. Então, mesmo eu que não me sinto confortável em beiradas de lugares altos, não senti desconforto nenhum. O Waldyr e equipe também estavam sempre lá dando apoio para nós.

Entretanto, parecia que pressentíamos que algo aconteceria…

Olha essa cena:


Labate, em primeiro plano, pressentido a chegada dela... <br> Mas dela quem, Filipe? <br> Hehehehe... Está chegando...
Labate, em primeiro plano, pressentido a chegada dela…
Mas dela quem, Filipe?
Hehehehe… Está chegando…

Um pouco depois, íamos passar por um trecho de trepa-pedra (escalaminhada), lá não é hora de ter as mãos ocupadas com a câmera, então ela foi para dentro da mochila.

A escalaminhada foi curta, mas divertida. Fora o fato de que um celular caiu entre as pedras, huehuehue. Ainda bem que deu para resgatar! \o/

Só que minha câmera não saiu mais da mochila depois disso.

Pois é, a foto abaixo foi a última deste dia com a câmera, logo antes do trepa-pedra.


Sem mais naquele dia. <br> Lá vem ela...
Sem mais naquele dia.
Lá vem ela…

Mas foi aí que ela veio…

Se você achou que já vivemos bastante até agora, hahaha, não viu nada ainda. É agora que começa de verdade.

Vídeo feito pelo Felipe Labate. Chegando no que seria o local do almoço.


Um pouco depois em nossa trilha, chegamos ao ponto onde normalmente é realizado o almoço. Mas tudo que deu para fazer ali foi nossa primeira foto oficial.

Além do frio, estava ventando tanto que não dava para nos servirmos e comermos direito. Ali era um local bem aberto e o vento era impiedoso. Comeríamos mais a frente, em um local mais protegido.

Vídeo feito pelo Felipe Labate. Entendeu agora quando eu disse que ventava? :) hehehe


Mas a foto do grupo o Waldyr conseguiu fazer! Hahaha :P \o/


Fotografia de Waldyr Neto. :) \o/ :)
Fotografia de Waldyr Neto. :) \o/ :)

Também desistimos de fazer aquele trecho até a Pedra do Altar que você viu no mapa lá no início do artigo.

Com a neblina, não daria para ver nada. Então não fazia sentido ir para lá nessas condições. Iríamos nos desgastar à toa.

Parece que o jogo estava virando, né? Não almoçamos no local padrão, não fizemos uma parte da trilha…

É…

Isso mesmo… lá vem ela…

Uma gotinha, duas gotinhas, 5 gotinhas, 10 gotonas…

Sim, chuva. Ela chegou.

Pausa para colocar a capa de chuva/poncho. Todo mundo trouxe como recomendado, né?

Todos protegidos?

Sim! \o/

Continuemos!


Ela chegou... E que chuva!
Ela chegou… E que chuva!

Nessa hora, eu pensava: logo passa, né?

No começo até parecia legal, talvez ainda desse para fazer algumas fotos na chuva, ia ser bem diferente :). Ao menos a chuva ia ajudar a abrir mais e nos deixaria ver a paisagem!

Mas logo fomos vendo que não seria bem assim…

De fato nossa visibilidade aumentou. Mas, ao menos para mim (míope), era enxergar tudo embaçado sem óculos ou um monte de gotas (na lente do óculos) com resquícios de Agulhas Negras ao fundo hahahaha.

Além disso, na prática, tirar a câmera que estava na mochila significava tirar a capa de chuva e consequentemente tomar um banho de água gelada. Não esqueça do vento.

O percurso até o abrigo não era tão curto, passaríamos 2 horas caminhando pela chuva. Frio, chuva e vento são uma combinação bem perigosa. Digamos que aprendemos na prática. Vai vendo…

Seguimos caminhando…

O Waldyr foi nos explicando o que era cada lugar, os nomes das montanhas e etc…

Felizmente, a chuva vinha pelas costas, então o poncho, e no meu caso a calça e bota impermeáveis, ajudaram bastante deixando apenas o rosto e mãos desprotegidos.

A chuva continuava caindo… Nada de diminuir, pelo contrário.

Você vai esfriando…

Encolhe as mãos para dentro da capa de chuva, pois estão gelando…

Cada vez mais água corre junto do seu caminho…

Sua bota que era impermeável começa a entrar água…

Seu pé esfria….

O poncho que era impermeável parece que está deixando passar um pouco de água…

Aquela ventania constante…

Não dá para piorar, né? Dá sim. Quer ver?

Foi então que a chuva mudou de direção. Pois é, agora era frontal. Ou seja, começou a molhar o rosto.

A trilha já tinha virado um córrego… Você vai tentando desviar andando pelas laterais, mas mesmo que sua bota estivesse zero bala na impermeabilização, uma hora você erra o passo e enfia o pé na água. Aí já era. Por cima não tem como evitar que a água entre. Bota encharcada.

Vídeo feito pela Adna de Pinna. Enfiando o pé na água :P


Agora, além da bota já encharcada e das mãos geladas, cada gotinha no rosto parecia uma agulhada. Mas que chuva!

Agulhada

Agulhada

Agulhada

Caminhamos mais um pouco e a sensação é de que o rosto começa a ficar meio estranho, sim, meio dormente. Novamente, frio, chuva e vento formam uma mistura perigosa. Mas nosso abrigo já estava próximo \o/.

Olha nossa chegada :)

Vídeo feito pela Adna de Pinna. Super Adna filmando nossa chegada apesar dos perrengues :). Valeu, Adna!!


Chegamos, provavelmente com aquela cara de um pouco assustados e querendo um abrigo :). Ao menos foi essa a impressão que tive da reação de um dos moços da Rock Giants quando nos viu chegar na porta do abrigo hahaha :). Uma parte da equipe fica por lá preparando as refeições campeãs.

Fora isso, também era hora de tirar as roupas molhadas, colocar elas para secar, comer, se esquentar e descansar.

Apesar do “índice Nutella” do passeio ter diminuído bastante, hehehe, correu tudo bem. Chegamos bem ao abrigo e deu tudo certo.

Bem, para nós deu… já para outros…

Não foi um dia de boas estatísticas para o parque.


Logo que chegamos no abrigo, o pessoal da equipe já nos deu os lanches e nos alimentamos :)
Logo que chegamos no abrigo, o pessoal da equipe já nos deu os lanches e nos alimentamos :)

Perigos da montanha

Acha que acabou? Não. É agora que começa a parte complicada.

No abrigo, não era apenas nosso grupo que estava por lá, tinham mais algumas pessoas também.

Enquanto a gente comia, conversava, descansava e etc, começamos a escutar um zum zum zum e uma movimentação estranha, foi então que começaram a aparecer notícias de que alguém tinha morrido no parque. Algumas informações desencontradas para lá e para cá, mas depois soubemos que alguém que fazia outra trilha teve um infarto durante a caminhada :(.

Acabou agora né, Filipe?

Pior é que não. Mas aqui, novamente, não tem graça e não vou ficar contando história. Serve de alerta.

Lembra que falei para você guardar a imagem do pessoal entrando de shorts no parque?

Não foram eles que deram trabalho, mas outra pessoa como eles deu.

O zum zum zum continuava. Mas o que está acontecendo?

Pois é, parece que tem alguém com hipotermia e sem condições de vir ao abrigo ou ir embora por conta própria. Tempo depois, a hipotermia virou também estado de choque e foi necessário um salvamento para resgatar a pessoa.

O pessoal mais experiente foi ajudar. Depois de bastante tempo e muito esforço, conseguiram finalmente trazer a pessoa para o abrigo para tentar reaquecê-la e salvá-la.

Existe um grande risco ao fazer esse tipo de coisa, pois se der errado, quem está salvando ainda pode ser responsabilizado. Mas enfim, ainda bem que dessa vez deu tudo certo.

Foi por muito pouco que a estatística do parque não foi ainda pior nesse dia e que não foi entregue um troféu do Prêmio Darwin. Foi tenso.

Mas pensa comigo…

O cara vai para um parque como o de Itatiaia, que já é frio por natureza, em um dia em que a previsão era de um belo frio e grande probabilidade de chuva, vestindo um tênis New Balace, shorts e camiseta? Sem mais nenhuma roupa ou proteção e com um guia que tinha ido conhecer o parque, pelo que disseram, uma semana antes?

Percebe que tem muita coisa errada, né?

Além disso, creio que agora você também entendeu o porquê de eu ter comentado que tinham alguns itens de sobrevivência na nossa lista do que levar para a expedição, certo?

Os parques e áreas de preservação não são responsáveis pela sua segurança, é você que tem que cuidar de si. Você ao fazer trilhas e escaladas é que deve saber o que está fazendo ao entrar nessas áreas. O risco é seu.

Eu também não sabia disso, achava que os parques tinham alguma infra, até têm, mas longe de ser o que vai te salvar em algum caso extremo. A responsabilidade é sua.

Se você não tem experiência com trilhas ou montanhismo, contrate um guia. É vital. E, por favor, não qualquer guia que passe na sua frente né, pesquise isso seriamente, tem que ser alguém experiente. Isso pode salvar sua vida. Não é brincadeira. Veja a diferença do nosso grupo para o cara de New Balance. Olha o Prêmio Darwin!

Se você ama a sua própria vida, tem o mínimo de cérebro :) e não quer virar o próximo Prêmio Darwin, seu próximo passo é ler o livro do Waldyr, Pé na Trilha de Bem com a Vida.

Sim! O Waldyr escreveu um livro explicando sobre equipamentos, alimentação, segurança e vários outras coisas para você fazer suas caminhadas e trilhas mais preparado, com consciência do que está fazendo e também saber como começar.

Além disso, o livro vai além de ser apenas algo informativo sobre trilhas. Tem toda uma história por trás e está super alinhado com coisas que falamos aqui no blog.

Tem um capítulo até sobre fotografar em trilhas pela natureza e montanhas. Enfim, eu gostei muito mesmo da leitura e recomendo fortemente se você gosta de fotografar na natureza e fazer suas trilhas, mas ainda não é muito experiente nisso.


Novamente, frio, chuva e vento, uma combinação perigosa. Não brinque com a montanha.

De uma forma ou de outra, nossa vida seguiu. Ainda deu tempo de jantarmos um belo rodízio de pizza (teve até pizza doce!) em pleno abrigo Rebouças e depois fomos dormir para estarmos bem para o dia seguinte.

Segundo dia

Quando fomos deitar depois da pizza, como o tempo ainda estava bem ruim, o combinado era que o Waldyr acordaria mais cedo e iria checar as condições do tempo para ver se era possível fotografar o amanhecer como normalmente acontece.

Quando ele voltou, disse que não estava mais chovendo, mas estava frio e ventando muito. Ele disse que mesmo assim iria tentar. Talvez não desse para fotografar, mas quem quisesse, era só ir com ele. Sairíamos em alguns minutos!

Eu topei e alguns mais toparam também!

Lá vamos nós!

Nascer do sol

Agora era a hora em que logicamente teríamos o frio máximo da expedição e ainda com todo o vento que o Waldyr enfatizou, isso significava força total nas roupas :).

Vestir-se adequadamente era ainda mais importante, pois o percurso até o ponto de foto era bem próximo ao abrigo, portanto não nos esquentaríamos muito com a caminhada. Além disso, ficaríamos a maior parte do tempo parados fotografando com o tripé.

Coloquei vários casacos (usei dois casacos como segunda camada), luva, gorro, capuz dos casacos e fiz o esquema de três camadas até nas pernas, o que geralmente não é muito comum ser necessário aqui no Brasil. Você pode obter mais detalhes sobre a vestimenta no .

Sim, segui as orientações do Waldyr e completei o guarda-roupa de montanha antes da expedição com mais proteção para o frio. Eu gosto de frio, mas não de passar frio ;).


Tentando secar as botas ao lado do forno hehehe :)
Tentando secar as botas ao lado do forno hehehe :)

Mas e as roupas molhadas, Filipe? Secaram?

Pois é…

No dia anterior, a bota, a meia e a calça molharam. A minha bota molhou mesmo, a impermeabilização não funcionou. A calça era impermeável, mas como tomou bastante chuva, ela ficou num estado em que parecia molhada, apesar de eu não ter ficado com as pernas molhadas.

A calça secou, mas a bota não, mesmo tendo ficado perto do forno o tempo todo. A meia, peguei um par novo, mas claro, foi molhando aos poucos, pois a bota ainda estava molhada. Foi ótimo ter trazido vários pares de meia.

Apesar do pé ter ficado meio gelado, achei que seria muito pior. Lembre-se que eu ainda estava sem a palmilha, hahaha. Mas no final das contas, ela não fez tanta falta, ficou menos confortável, mas não chegou a machucar. Enfim, aconteceu tanta coisa que esse foi o menor dos problemas :).


Fotografia de Waldyr Neto durante o frio amanhecer e com muuuuuuito vento.
Fotografia de Waldyr Neto durante o frio amanhecer e com muuuuuuito vento.

Saímos de lanterna pelo curto percurso. Nosso grupo se dividiu em dois e cada subgrupo subiu as duas “mini montanhas” por ali.

Nossa, mas era um vento.

Já estava super frio e ainda com aquele vento maluco soprando loucamente. Nunca tinha pegado tanto vento na minha vida. Se no dia anterior parecia que ventava bastante, você não faz ideia do como foi o amanhecer no domingo.

Sem brincadeira, por diversas vezes precisei dar um passinho para o lado para me reequilibrar.

Fiquei com mão segurando o tripé o tempo todo. Apenas durante a exposição da fotografia que eu tirava, mas já deixava as duas mãos ao redor das pernas do tripé para conseguir segurar, caso ele voasse.

No início, com bem pouca luz (antes do sol nascer), não consegui salvar nenhuma imagem, todas ficaram tremidas. Uma pena, pois nessa hora as nuvens estavam mais legais do que depois quando clareou um pouco mais. Valeu pela experiência de fotografar nessa condições, foi bem legal \o/.


Repara no matinho borrado balançando com o vento, hehehe. Não é lá aquele primor de fotografia, mas foi o que consegui fazer :)
Repara no matinho borrado balançando com o vento, hehehe. Não é lá aquele primor de fotografia, mas foi o que consegui fazer :)

Outro detalhe interessante. Ainda bem que o vento vinha pelas costas, assim dava para proteger um pouco o tripé e a câmera do vento e, principalmente, o vento não batia diretamente no rosto, mais especificamente nos olhos.

Quando virava o rosto um pouco para olhar para os lados, foi muito fácil perceber que não teria chance nenhuma de ficar ali com o vento nos olhos, mesmo de óculos, é muito vento. Precisa de uma máscara ou algo assim.

Quando voltei para o abrigo, logo que abri a porta dei de cara com o Waldyr, o grupo dele voltou um pouquinho antes que o nosso. Hahaha, ele até tirou um sarrinho da quantidade de roupa que eu estava heuheuheuhe. Mas ao menos eu não passei frio, teve gente que voltou tremendo depois :P.

Hora de um belo café da manhã :). Já que na sequência partiríamos para as Prateleiras!


Caminhando... Vamos conhecer as Prateleiras :)
Caminhando… Vamos conhecer as Prateleiras :)

Prateleiras

Alimentados, com a roupa seca (ou o que deu para secar :P), fomos para as Prateleiras! O último passeio fotográfico da expedição.

Já não era tão cedo pela manhã, sol brilhando… Sendo sincero, achei que estaria mais quente. Porém, quando saí do abrigo, me surpreendi com a temperatura e dei meia volta para acertar a roupa, hahaha. Ops! :)

Mais tarde, quando estávamos indo embora, descobrimos que tinha chegado uma frente fria. De fato estava mais frio do que no amanhecer, não foi só impressão. Ao menos o vento tinha diminuído. Eu disse diminuído, ok? Hehe.

De qualquer forma, usei menos roupa do que durante o amanhecer, pois iríamos caminhar bastante e tinha sol. E, claro, coloquei novas meias sequinhas :).


Uma de nossas vistas durante o percurso.
Uma de nossas vistas durante o percurso.

Nossa, nem comparação com o dia anterior. Céu aberto, sol, parecia até piada, não tinha quase nuvem nenhuma. Que contraste!

A caminhada foi tranquila, sem muitos desníveis, aquilo de sempre, se eventualmente cansar, diminui o ritmo ou faz uma pequena pausa. Mas até onde lembro, foi ainda mais tranquilo do que no sábado.

Durante o percurso, nos deparamos com algumas poças com uma camada de gelo. Olha só:


Ao longo da caminhada pela manhã, nos deparamos com algumas poças (ou algo parecido com isso) congeladas.
Ao longo da caminhada pela manhã, nos deparamos com algumas poças (ou algo parecido com isso) congeladas.

Foi um passeio super tranquilo, deu para curtir numa boa. Perto de ontem, bem… hahaha.

Tinha horas que o vento soprava bem forte. Sabe quando você inclina o corpo além do que normalmente conseguiria se equilibrar sozinho e é o vento que te segura? Mas melhor não brincar muito disso, chega de problemas em um final de semana só hahaha :P

Aproveitei para fazer minhas primeiras fotografias usando um polarizador, foi bem legal :). Mas ainda preciso praticar mais.


Prateleiras com uma pessoa para você ter a ideia de escala.
Prateleiras com uma pessoa para você ter a ideia de escala.

As Prateleiras são muito interessantes, é tudo muito grande e perto delas ainda tem mais um laguinho e uma outra pedra que leva o nome de um bicho que eu gosto, a Tartaruga :).

Ao lado da Tartaruga, fizemos um belo lanche :) e também tiramos a nossa segunda foto clássica de grupo (deixei ela como um agradecimento abaixo na conclusão do artigo, é só continuar a leitura).


De longe a Tartaruga parece até pequena, né?
De longe a Tartaruga parece até pequena, né?

Nessa manhã, cruzamos pelo caminho com bem mais gente que no sábado, por motivos óbvios né. Tinha até gente fazendo brinde, hahaha.

Logo que chegamos de volta ao abrigo, tínhamos entrado para nos arrumarmos, mas aí começaram a nos chamar lá para fora de novo. Estava dando para ver a lua ao lado das Agulhas Negras. Olha que interessante:


Fotografia de Waldyr Neto. Lua sobre o Quarto Pontão das Agulhas Negras
Fotografia de Waldyr Neto. Lua sobre o Quarto Pontão das Agulhas Negras

Depois disso, o Luis Felipe ainda nos levou para dar uma volta ali atrás do abrigo. No dia anterior, eu nem reparei direito no que tinha ali por perto, hahaha. Por que será, né?

Depois, tivemos um belo almoço com direito até a uma surpresa com itens especiais e secretos :). Também ganhamos um presente do pessoal da expedição :). Não vou contar o que foram, você vai ter que participar para descobrir :).

Alimentados mais uma vez e agora com as malas arrumadas, era hora de partir…

Última caminhada, indo embora

Pois é, nossa aventura estava terminando. Fomos embora em uma caminhada de despedida pela estrada mais alta do Brasil (Estrada dos Lírios, BR-485) que, no trajeto que fizemos, liga o abrigo Rebouças até a portaria (“Posto Marcão”).

A intenção não era fotografar, era apreciar e conhecer essa parte do parque, já que no dia anterior chegamos ao abrigo por um caminho bem diferente. Andar é bom, eu adoro :).

No meio do caminho, cruzamos com um moço de moto, ele era do parque. Perguntamos sobre a pessoa que tinha sido salva pelo pessoal e ele não soube dar mais detalhes além do que já sabíamos. Espero que tenha ficado tudo bem e que a pessoa tenha aprendido a lição.

Quando chegamos na portaria, estava curioso para saber a temperatura que fez enquanto estávamos no parque, existe uma estação meteorológica automática por lá.

Então, perguntei para o moço da portaria e ele foi conferir. Ele nos disse que fez 3°C às 8h da manhã de domingo! Oo :grimacing: :scream:. Depois o Labate também achou na internet um gráfico com os dados do INMET, dá para entender melhor a evolução da temperatura do domingo. O pico menor, às 11h, é de 1,1°C.


Infelizmente, o site do INMET só mostra as temperaturas neste gráfico bonito das últimas 24h. Como só acessamos isso durante o trajeto para casa, não deu para colocar no gráfico a maior parte das temperaturas do sábado. Mas você pode ver isso na tabela da imagem abaixo. Aqui, da para ter uma boa ideia do domingo. Inclusive, podemos ver bem a queda da temperatura na manhã do domingo. Obrigado pela imagem, Labate!!
Infelizmente, o site do INMET só mostra as temperaturas neste gráfico bonito das últimas 24h. Como só acessamos isso durante o trajeto para casa, não deu para colocar no gráfico a maior parte das temperaturas do sábado. Mas você pode ver isso na tabela da imagem abaixo. Aqui, da para ter uma boa ideia do domingo. Inclusive, podemos ver bem a queda da temperatura na manhã do domingo. Obrigado pela imagem, Labate!!

Também consegui achar uma tabela com todos os dados no site do INMET. No sábado, a temperatura foi praticamente estável lá pelos 10°C (chegamos no parque um pouco depois das 8h) e caiu um pouco enquanto pegamos chuva (das 16h até 18h), em torno dos 9°C.


Nesta tabela, podemos ver as temperaturas e outros dados da estação automática de Itatiaia. Pegamos chuva de aproximadamente 16h até às 18h, portanto as temperaturas durante essa parte do percurso estavam por volta dos 9°C. Uma pena que não aparecem os dados de vento. Dados do INMET.
Nesta tabela, podemos ver as temperaturas e outros dados da estação automática de Itatiaia. Pegamos chuva de aproximadamente 16h até às 18h, portanto as temperaturas durante essa parte do percurso estavam por volta dos 9°C. Uma pena que não aparecem os dados de vento. Dados do INMET.

Embarcamos nos 4×4 e fomos para a Garganta pegar nossos carros para irmos para casa.

Final tranquilo e feliz para nossa história, né?

Hahahah. Não!

Ainda não acabou. Só acaba quando termina!

Quando achamos que mais nada poderia acontecer, ao tirar os carros do estacionamento, descobrimos ratos nos carros! Acredita?! Hahaha

Pois é, os ratos fizeram ninhos nos motores de praticamente todos os carros, apenas o nosso que não tinha. Que sorte :). Eram ratinhos saindo para tudo quanto era lado quando ligavam os carros, hahaha. Mas enfim, depois de limpar os ninhos, deu para todo mundo voltar para casa.

Será que o comércio ali é confiável? Não sei não hein hehehe :P

Voltamos para casa curtindo o por do sol na estrada e batendo um papo no carro…. ai, ai… foi gostoso :)

Conclusão

Essa expedição foi muito além dos tradicionais aproveitar a vida fotografando, criar sua arte, conhecer novos lugares e novas pessoas com interesses alinhados aos nossos.

Foi muita emoção do início ao fim. Vivemos muito, com certeza. Aprendemos bastante também.

Pegamos uma das condições climáticas mais difíceis que acredito ser possível pegar no Planalto do Parque Nacional do Itatiaia. Enfrentamos muitas dificuldades para ter a tranquilidade necessária para fazer nossas fotografias.

Além do frio beirando o zero grau, pegamos muita neblina, chuva e vento. Mas o Waldyr e toda a equipe nos passaram todas as instruções necessárias e nos ajudaram quando precisamos. No final, deu tudo certo e foi inesquecível \o/.

Se eu quero voltar lá? Claro que sim! Só que de preferência com um tempo menos agressivo, né? ;) hehehe

Vídeo feito por Vitor Nunes. Obviamente, não foi só a gente que enfrentou a chuva em Itatiaia naquele dia. Olha como estava a situação do ponto de vista das Agulhas Negras. Que doideira!


Quando estávamos no 4×4 voltando para a Garganta, conversamos sobre as dificuldades de fotografar nas condições que enfrentamos.

Alguém comentou sobre qual seria a graça aparecer lá no parque de helicóptero, descer, ficar uns minutinhos para tirar a foto e fugir de helicóptero novamente.

Nenhuma, né? A intenção é viver a experiência completa, realmente isso, viver.

É por esse tipo de conversa que você percebe que está no lugar certo e com o pessoal certo. Com pessoas que têm vontade de viver (WillingToLive :)) e fazem tudo isso por que realmente gostam e se divertem durante o percurso.

Não é para ganhar um troco no fim do mês ou impressionar alguém (para os outros). É para si mesmo e pelo bem que aquela experiência representa para cada um. O resultado da foto é um detalhe, um detalhe divertido, mas um detalhe.

Talvez o que mais te encante não seja a montanha, mas com certeza existe algum estilo de fotografia com uma situação análoga ao que estou te contando aqui. Já descobriu qual é a fotografia que realmente te move? Conta para gente nos comentários ;).


Fotografia de Waldyr Neto. Obrigado pessoal! Foi um final de semana incrível :)
Fotografia de Waldyr Neto. Obrigado pessoal! Foi um final de semana incrível :)

Para terminar, talvez o alerta mais importante deste artigo.

Enquanto estávamos no abrigo vivendo tudo aquilo, tinha uma cópia do livro do Waldyr sobre a mesa. O livro que já comentei com você durante o artigo.

É nessas horas (ainda mais pelo que estávamos passando) que a gente olha para o livro, o livro olha para a gente… Não é brincadeira, vimos na nossa frente o que acontece. É melhor ler o livro e seguir as orientações que estão nele.

Em nosso caso, estávamos com o autor do livro e também seguimos as recomendações dele (o que é importante, é claro :)).

Quem não teve a mesma oportunidade, tanto de estar com um bom guia, quanto de ter acesso às informações necessárias, você já viu o que aconteceu.

Se você não for experiente, contrate um bom guia. Siga as orientações, saiba as condições e previsão de tempo, preze sempre pela sua segurança e sobrevivência. Busque conhecimento, sempre.

A minha parte eu já fiz aqui, agora cabe a você.

Seu próximo passo é ler o livro do Waldyr.

O livro é super legal, não tem nada a ver com um manualzinho burocrático sobre trilhas e montanhismo. Pelo contrário, é bastante inspirador, ainda mais para nós que fotografamos! Tem um capítulo falando só disso \o/. Fora que é bem barato, R$ 9,90.

Está esperando o que? Virar Prêmio Darwin ;)? Oferenda para a Pacha Mama? :P


Agradeço muito pelo tempo que você dedicou à leitura do artigo. Obrigado ;). Espero que tenha sido proveitoso para você. Até!



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